Empresariando a informalidade: um debate teórico à luz da gig economy

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Marcia Cristiane Vaclavik
https://orcid.org/0000-0003-4209-1054
Andrea Poleto Oltramari
https://orcid.org/0000-0002-5897-2772
Sidinei Rocha de Oliveira
https://orcid.org/0000-0001-9139-2684

Resumo

É inegável a importância econômica e social do trabalho informal como característica histórica do mercado de trabalho brasileiro. Neste ensaio, ao articular os eixos da informalidade e dos mercados laborais digitais, típicos da gig economy, defende-se a tese do “empresariamento da informalidade”, em que grandes empresas passam a mediar relações por meio de plataformas on-line, utilizando o trabalho informal. Esse fenômeno reorganiza e amplifica a informalidade, criando um novo estatuto laboral em que são mescladas características de atividade formal, como controle, avaliação de desempenho e incentivos financeiros, e informal, pela natureza autônoma e pela falta de vínculos trabalhistas. No Brasil, meios de alocação de mão de obra mediados por aplicativos têm crescido substancialmente, reforçando a necessidade de investigação teórica e empírica do fenômeno.

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Vaclavik, M. C., Oltramari, A. P., & Oliveira, S. R. de. (2022). Empresariando a informalidade: um debate teórico à luz da gig economy. Cadernos EBAPE.BR, 20(2), 247–258. https://doi.org/10.1590/1679-395120210065
Seção
Artigos

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