Quando a democracia transborda a razão neoliberal: uma análise histórica das manifestações de outubro de 2019 no Chile e no Equador

Autores

  • Daniel Henrique da Mota Ferreira Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ)
  • Vitória Gonzalez Rodriguez Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ)

DOI:

https://doi.org/10.12660/rm.v12n18.2020.81443

Palavras-chave:

Neoliberalismo, Equador, Chile, Transbordamento social, América Latina

Resumo

O artigo busca entender a intensidade e simultaneidade das manifestações de outubro de 2019 no Chile e no Equador a partir de uma análise que imbrica diferentes temporalidades e escalas. Entendemos que centrar a análise nos estopins do aumento do preço da passagem (Chile) e no Paquetazo (Equador) denota certa miopia. Procura-se olhar para a história política e social recente dos países, bem como para desenvolvimento capitalista na região para encontrar as causas do transbordamento social. Propomos que o internacionalismo e a simultaneidade dos protestos se deve ao esgotamento da razão neoliberal – em governos tanto à esquerda quanto à direita. Defendemos que esse transbordamento é indicativo de mudanças estruturais e no imaginário que podem ganhar corpo e se desenvolver posteriormente.

Biografia do Autor

Daniel Henrique da Mota Ferreira, Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ)

Mestrando em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), com Bolsa Nota 10 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ). Pesquisador do Núcleo de Estudos em Teoria Social e América Latina (NETSAL). Bacharel em Ciências Sociais pela PUC-Rio e em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Contato: danielhmf11917@gmail.com

Vitória Gonzalez Rodriguez, Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ)

Mestranda em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), com Bolsa Nota 10 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ). Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Teoria Social e América Latina (NETSAL) e editora colaboradora da Horizontes ao Sul. Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Contato: vitoria.gonzalez@iesp.uerj.br

Referências

ACOSTA, Ana María. “O Protesto Indígena Popular que Parou o Equador”. Agência Pública. 16 de outubro de 2019. Disponível em: <https://apublica.org/2019/10/o-protesto-indigena-popular-que-parou-o-equador/#Link1>.

AGUILERA-RUIZ, Óscar; ALVAREZ-VANDEPUTTE, Javier. “El ciclo de movilización en Chile 2005-2012: Fundamentos y proyecciones de una politización”. Revista Austral de Ciencias Sociales, 29, 2015, p. 5–32.

ARAUJO, Kathya. “La igualdad en el lazo social: procesos sociohistóricos y nuevas percepciones de la desigualdad en la sociedad chilena”. Dados, 56, 1, Rio de Janeiro, 2013, p. 109-132.

_____. “La política en tiempos de transformación- La relación entre ciudadanía y política institucional desde la perspectiva de los actores políticos”. Fundación Friedrich Ebert en Chile, Análisis nº 3 2019.

ARAUJO, Kathya; MARTUCELLI, Danilo. Desafíos comunes: retrato de la sociedad chilena y sus individuos. Santiago: LOM Ediciones, 2012.

BRINGEL, Breno. “Movimientos sociales y la nueva geopolítica de la indignación global”. IN: BRINGEL, Breno; PLEYERS, Geoffrey (Ed.). Protesta e Indignación Global. Los movimentos sociales en el nuevo orden internacional. Buenos Aires: CLACSO, 2017, p. 29-36

BRINGEL, Breno; PLEYERS, Geoffrey. “Junho de 2013, dois anos depois: polarização, impactos e reconfiguração do ativismo no Brasil”. Nueva Sociedad, 2015, p.4-17.

CARDOSO, Fernando Henrique; FALETTO, Enzo. Dependência e desenvolvimento

na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.

DOMINGUES, José Maurício. Modernidade Global e Civilização Contemporânea - Para uma renovação da teoria crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

DÖRRE, Klaus. “A nova Landnahme. Dinâmicas e limites do capitalismo financeiro”. Revista Direito e Práxis, 6, 3, 2015, p. 536-603.

ERAZO, Paúl. “Yasunidos, los jóvenes que desafían a Correa en la polémica por Yasuní”. BBC, 14 abr 2014. Disponível em: <https://www.bbc.com/mundo/noticias/2014/04/140414_ecuador_petroleo_parque_yasuni_mxa>.

FALETTO, Enzo. “De la teoría de la dependencia al proyecto neoliberal: el caso chileno”. Revista de Sociología, 13, Departamento de Sociología, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Chile, 1999, p. 127-137.

GABÓN, Eleuterio. “A defesa do Yasuní”. Amazonia.org, 29 ago 2014. Disponível em: <https://amazonia.org.br/2014/08/a-defesa-do-yasun%C3%AD/>.

ISERN, Pedro. “Las dos renovaciones de la izquierda chilena”. Documentos CADAL, II, 19. 9 de agosto de 2004, p. 1-9.

IVES, Diogo. “Sucessão no Equador: perspectivas para o governo de Lenín Moreno”. Boletim OPSA, 2, Rio de Janeiro, 2017, p. 10-13.

______. “Anti-Correa e pró-EUA: o primeiro ano de governo de Lenín Moreno no Equador”. Boletim OPSA, 1, Rio de Janeiro, 2018, p. 6-11.

LANG, Miriam. “Alternativas ao desenvolvimento”. IN: DIGER, Gerhard; LANG, Miriam; PEREIRA FILHO, Jorge (Org.). Descolonizar o imaginário: debates sobre pós-extrativismo. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo, 2016, p. 25-44.

LUXEMBURGO, Rosa. A acumulação do capital. São Paulo: Nova Cultural, 1985.

MARTÍ, Javier E. “Chile y España: transiciones cuestionadas”. IN: FOLCHI, Mauricio. CHILE DESPERTÓ: Lecturas desde la Historia del estallido social de octubre. Santiago: Universidad de Chile, 2019.

MAUREIRA, Sergio T.; BELTRÁN, Macarena V. “Chile 2017: ambiciones, estrategias y expectativas en el estreno de las nuevas reglas electorales”. Revista de Ciencia Política, 38, 2, 2018 p. 207-232.

NANCI, Fernanda. “Eleições presidenciais no Equador: um ponto fora da curva?”. Boletim OPSA, 1, Rio de Janeiro, 2017, p. 19-22.

NIÑO, Andrés L. et al. “As revoltas contra o neoliberalismo na América do Sul em 2019”. Boletim OPSA, 4, Rio de Janeiro, 2019, p. 26-31.

OEC. “Chile”. Observatory of Economic Complexity, 2018a. Disponível em: <https://oec.world/en/profile/country/chl>.

______. “Ecuador”. Observatory of Economic Complexity, 2018b. Disponível em: <https://oec.world/en/profile/country/ecu>.

______ “United States/Ecuador”. Observatory of Economic Complexity, 2018c. Disponível em: <https://oec.world/en/profile/bilateral-country/usa/partner/ecu>.

PIKETTY, Thomas. O Capital no Século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.

SOUZA, Pedro. Uma História Da Desigualdade: A Concentração De Renda Entre Os Ricos No Brasil (1926-2013). São Paulo: HUCITEC, 2018.

STREECK, Wolfgang. “As crises do capitalismo democrático”. Novos estudos CEBRAP, 92, São Paulo, 2012, p. 35-56.

SVAMPA, Maristella. Las fronteras del neoextractivismo en América Latina: conflictos socioambientales, giro ecoterritorial y nuevas dependencias. Zapopan: Calas, 2019.

TARROW, Sidney. Power in Movement: Social Movements, Collective Action and Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

VAROUFAKIS, Yannis. The Global Minotaur - America, Europe and the future of the global economy. London: Zed Books, 2015.

WALLERSTEIN, Immanuel. World System Analysis. An introduction. Massachussets: Duke University Press Book, 2004.

WILKINSON, Daniel. “A Guinada Autoritária do Equador: Presidente Rafael Correa Intensifica Repressão ao Ativismo Ambiental”. Human Rights Watch, 1 set 2015. Disponível em: < https://www.hrw.org/pt/news/2015/09/01/280563>.

Downloads

Publicado

06.07.2020