Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, se torna inteligente, mas para quem?

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Manuela Lorenzo
Bianca Sá
Ana Celano

Resumo

Este caso de ensino ilustra um dilema para Gabriel, um jovem que trabalha como chefe da secretaria de planejamento urbano da cidade do Rio de Janeiro no início de 2022. Gabriel construiu uma carreira bem-sucedida no setor privado, na empresa de tecnologia mais proeminente do Brasil. No entanto, um novo desafio, grande demais para recusar, mudou tudo – agora, iniciando no setor público, Gabriel é o responsável por um projeto massivo com o potencial de transformar o centro do Rio de Janeiro e tornar a cidade uma referência em cidades inteligentes. O projeto atraiu atenção significativa de empresas de construção interessadas nos benefícios que obteriam com o contrato. Além disso, Gabriel precisa que o projeto seja aprovado pelo conselho municipal. Ele estava confiante no projeto e acreditava que era a mudança necessária para o centro do Rio. Mas seria uma mudança para quem? Uma reunião com Teresa, uma vereadora com várias críticas ao projeto, revelou a realidade do centro da cidade e sua população para Gabriel. Teresa é uma arquiteta e urbanista, ativista de causas urbanas, que já havia trabalhado em projetos de urbanização e habitação popular. Teresa fez Gabriel enxergar o “elefante na sala”, a realidade que ele (e muitos outros) ignoram todos os dias: antes de ser “inteligente”, o centro do Rio precisa de habitação social, cultura e segurança, ou seja, necessidades básicas. Agora, Gabriel questionava qual “mudança” o Rio realmente precisa. Será que Gabriel conseguirá entender as necessidades do Rio com sua mentalidade do setor privado? Ou precisará adotar uma nova mentalidade de gestor público? Mas os financiadores ainda apoiariam o projeto se ele adotasse a perspectiva de Teresa? O que Gabriel deve fazer?

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Como Citar
LORENZO, M.; SÁ, B.; CELANO, A. Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, se torna inteligente, mas para quem?. Revista de Gestão dos Países de Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, p. 180–208, 2024. DOI: 10.12660/rgplp.v22n3.2023.90556. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/rgplp/article/view/90556. Acesso em: 16 jun. 2024.
Seção
Casos de Ensino

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