Editorial

Conteúdo do artigo principal

Ana Lucia Guedes

Resumo

O número 4, de dezembro de 2012, representa um período de três anos como Editora do Cadernos EBAPE.BR Foram muitos os desafios superados com apoio da equipe editorial, que parece ter sido finalmente institucionalizada. Inicio este editorial com agradecimentos para Fabiana Braga Leal, Ângela Cristina da Silva, Leila Seabra, Newmar Vieira, Robert Stewart, Evandro Lisboa e Maristela Carneiro, cujas colaborações foram decisivas para o cumprimento do necessário ao bom andamento deste periódico. Agradeço também o apoio e colaboração dos Editores Associados Alketa Peci, Janann Joslin Medeiros, Francisco Giovanni Vieira e Alexandre Faria. Reconheço publicamente a importância de compartilhar as responsabilidades, principalmente na difícil tarefa de revisão editorial e nas indicações dos avaliadores. Aos avaliadores que compartilharam estes últimos anos de intensas mudanças, meu agradecimento pela valiosa (e voluntária) contribuição a este periódico, que permanece privilegiando abordagens “críticas e interdisciplinares”. Entendo ter cumprido, nas palavras de Marcelo Milano Falcão Vieira, “uma transição tranquila e equilibrada”, apesar de todas as turbulências institucionais. Ao final de três anos, fica a impressão de que o Cadernos EBAPE.BR tem exercido a potencialidade da sua missão editorial, resultado da colaboração e esforços dos autores dos artigos publicados a cada número.

Neste número, com o artigo Organizações contra-hegemônicas e a possibilidade de redescoberta da política na modernidade: uma contribuição a partir do pensamento de Hannah Arendt, Lara Bethânia Zilio, Rebeca de Moraes Ribeiro de Barcellos, Eloise Helena Livramento Dellagnelo e Selvino José Assmann demonstram que, do mesmo modo que o sistema capitalista cristaliza o esquecimento da política nos tempos atuais, o modelo hegemônico de organizar e a abordagem teórica tradicional dos estudos organizacionais são instrumentos de despolitização e dominação social, uma vez que legitimam as necessidades de produção, acumulação e regulação na sociedade contemporânea.

Thomaz Wood Jr. e Ana Paula Paulino da Costa, no artigo Ações substantivas e simbólicas na criação e condução de uma fraude corporativa: o caso Boi Gordo, reportam um caso notório de fraude corporativa, ocorrido no Brasil dos anos 1980 à década de 2000. Estudam os aspectos substantivos – os esquemas criados e gerenciados pelos agentes fraudadores – e os aspectos simbólicos – os recursos de gerenciamento da impressão e da imagem empregados pelos agentes fraudadores. Por fim, desenvolvem um modelo de fraude corporativa que busca compreendê-la de uma perspectiva processual.

Em Crise organizacional e sensemaking: o caso de um hospital público no contexto da pandemia de influenza A, André Davi Eberle e Adriana Machado Casali analisam a crise organizacional ocorrida em um hospital público de grande porte no contexto da pandemia de influenza A de 2009. Os resultados da pesquisa indicaram que os processos de sensemaking realizados pelos funcionários exerceram influência no modo como eles agiram na crise organizacional.

Lílian Weber, Carmem Ligia Iochins Grisci e Simone Mainieri Paulon, no artigo Cartografia: aproximação metodológica para produção do conhecimento em gestão de pessoas, apresentam a cartografia como alternativa ao uso dos métodos tradicionais, contribuindo assim para inovar a construção do conhecimento em Administração. Os autores descrevem o percurso metodológico de uma pesquisa cujo objetivo é não apenas apreender as conexões efetuadas em um blog coletivo ligado a uma política pública, como também analisar as possibilidades de cooperação na produção do trabalho e de si, concebidas em um contexto de trabalho imaterial. Os resultados apresentados dizem respeito às experimentações do método cartográfico tematizado.

Em As práticas de gestão de pessoas nas empresas de economia de comunhão: estudo de caso no Polo Spartaco, Maria Célia Vieira Ladain, Isabel de Sá Affonso da Costa e Denise Medeiros Ribeiro Salles afirmam que, para que uma firma seja considerada empresa de economia de comunhão, deve seguir princípios específicos, fundamentados nos valores da cultura da partilha, expressos na Carta de Princípios da Empresa de Economia de Comunhão. O objetivo deste estudo é verificar se as empresas do Polo Spartaco coadunam os princípios expostos nessa carta na prática cotidiana da gestão de pessoas. Observou-se que suas práticas de gestão de pessoas, ainda que de forma pouco estruturada, são bem-sucedidas para gerar produtividade, engajamento, participação e consolidação de valores.

No artigo Pessoa com deficiência = pessoa incapaz? Um estudo acerca do estereótipo e do papel da pessoa com deficiência nas organizações, Vanessa Silva Perez enfatiza que a compreensão dos estereótipos se mostra fundamental ao entendimento de que as generalizações podem ser úteis para o cotidiano, mas, também, trazer erros graves especificamente para os deficientes. Na análise dos estudos sobre os tipos de grupo minoritário, em boa parte dos artigos o conceito de estereótipo é tratado em referência à questão racial ou de gênero, com raríssimos trabalhos relacionados à pessoa com deficiência.

Renata de Almeida Bicalho e Ana Paula Paes de Paula, em Empresa júnior e a reprodução da ideologia da Administração, analisam o papel das empresas juniores na formação dos administradores. Os autores efetuam uma pesquisa qualitativa que se vale de um estudo de caso desenvolvido com base na história de vida e utilização da metodologia hermenêutico-dialética. São discutidas as violências vivenciadas no ambiente acadêmico-profissional das empresas juniores; a naturalização dessas violências; o real propósito dessas organizações, isto é, a encucação da ideologia da Administração nos discentes; e o papel da universidade – destinada à formação crítica dos sujeitos ou à sua formatação em consonância com o contexto socioeconômico.

No artigo A configuração da organização e sua relação com o planejamento estratégico formal e emergente, Sergio Bulgacov, Pedro Josemar Pereira dos Santos e Márcia Ramos May objetivam compreender as relações entre a configuração organizacional e as práticas de planejamento estratégico. Características de planejamento emergente são identificadas na rede de lojas de material de construção e características de planejamento formal são identificadas na empresa de tecnologia. Como base para estudos futuros, a pesquisa sugere que a configuração organizacional condiciona o processo de planejamento de modo recursivo.

João Felipe Rammelt Sauerbronn e Marluce Dantas de Freitas Lodi, no artigo Construção da imagem institucional do Poder Judiciário – uma análise baseada nas campanhas publicitárias do Conselho Nacional de Justiça, apresentam como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utiliza peças publicitárias para construir a imagem institucional do Judiciário diante dos cidadãos. As peças publicitárias oficiais lançadas pelo CNJ foram analisadas com base no método de análise do discurso publicitário que sugere uma abordagem interpretativa, fundamentada na análise de três funções do discurso publicitário: mostração; interação; e sedução. Por meio da análise das peças foi possível oferecer uma interpretação a respeito da proposta de construção de imagem institucional em questão.

Desejo que todos aproveitem o recesso de final de ano para boas leituras!

Ana Lucia Guedes

Editora

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Detalhes do artigo

Como Citar
Guedes, A. L. (2012). Editorial. Cadernos EBAPE.BR, 10(4). Recuperado de https://periodicos.fgv.br/cadernosebape/article/view/7181
Seção
Editorial

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>