Interseccionalidades da escravidão contemporânea da mulher negra à luz do pensamento decolonial: trabalho, determinantes e desigualdades sociais

Conteúdo do artigo principal

Cássius Guimarães Chai
https://orcid.org/0000-0001-5893-3901
Vitor Hugo Souza Moraes
https://orcid.org/0000-0002-3863-7125
Karine Sandes de Sousa
https://orcid.org/0000-0002-3180-1797
Fernanda Franklin da Costa Ramos
https://orcid.org/0000-0002-9032-4898

Resumo

O presente trabalho visa problematizar, como objeto de estudo, a invisibilidade da mulher negra escravizada com base em uma aproximação teorética decolonial de enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo, com a adoção de uma abordagem qualitativa e pesquisa de revisão bibliográfica como método, com recorte no pertencimento-reconhecimento social, feminismo negro e equidade. O desenvolvimento do trabalho discute a posição da mulher negra na sociedade patriarcal brasileira, a sua invisibilidade e a metodologia feminista decolonial como estratégia institucional para uma reação política, jurídica e econômica contra a escravização contemporânea, adotando as contribuições de Ibarra-Colado e Maria Lugones como referenciais, em atenção às diretrizes de pesquisa da chamada especial Cadernos EBAPE. Como resultado, constata-se que a mulher negra é duplamente vulnerabilizada em razão de sua cor e gênero, o que torna a sua condição na relação social do trabalho essencialmente baseada numa assimetria de poder entre ela, mulher negra trabalhadora, e os seus empregadores, o que, como consequência, naturaliza as práticas de invisibilidade pelas escolhas das políticas públicas e privadas de combate à exploração. Este estudo conclui que há a necessidade de redesenhar as estratégias organizacionais de combate ao trabalho escravo contemporâneo fundamentado em uma ótica decolonial que valorize as particularidades e diversidades brasileiras, garantindo efetivo reconhecimento e enfrentamento da invisibilidade da mulher negra, para propiciar-lhe uma vida mais digna, menos desigual e menos periférica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Detalhes do artigo

Como Citar
Chai, C. G., Moraes, V. H. S., Sousa, K. S. de, & Ramos, F. F. da C. (2023). Interseccionalidades da escravidão contemporânea da mulher negra à luz do pensamento decolonial: trabalho, determinantes e desigualdades sociais. Cadernos EBAPE.BR, 21(3), e2022–0068. https://doi.org/10.1590/1679-395120220068
Seção
Artigos

Referências

Abdalla, M. M., & Faria, A. (2017). Em defesa da opção decolonial em administração/gestão. Cadernos EBAPE.BR, 15(4), 914-29. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1679-395155249

Araújo, A. S (2013). A mulher negra no pós-abolição. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), 5(9), 22-36. Recuperado de https://abpnrevista.org.br/index.php/site/article/view/234

Binenbojm, G. (2020). Liberdade igual: o que é e por que importa. Rio de Janeiro, RJ: História Real.

Cavalcanti, T. (2021). Sub-humanos: o capitalismo e a metamorfose da escravidão. São Paulo, SP: Boitempo.

Cerqueira, D., Ferreira, H., Bueno, S., Alves, P. P., Lima, R. S., Marques, D., ... Pimentel, A. (2021). Atlas da violência. São Paulo, SP: FBSP.

Chai, C. G. (2021a). Construindo o desenvolvimento sustentável dos negócios: discutindo propostas sobre o marco estruturante normativo sendai com os princípios de governança corporativa para os padrões de conformidade (Boletim da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, Vol. 108, pp. 121-146). São Paulo, SP: Academia Brasileira de Direito Internacional.

Chai, C. H. (2021b). Violência de gênero, determinantes sociais e direito. In J. M. P. Caldas, J. B. Topa, & Y. Rodríguez-Castro (Orgs.), Violência de Género e Seus Determinantes Sociais: teorias & prática (pp. 7-11). Lisboa, Portugal: Letras Impares.

Crenshaw, K. (1989). Demarginalizing the intersecction of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. Chicago, IL: University of Chicago Legal Forum.

Crenshaw, K. (1995). Mapping the margins: intersectionality, identity politics and violance against women of color. Critical Race Theory. New York, NY: The New Press.

Davis, A. Y. (2011). Women, race, & class. New York, NY: Vintage Books.

Dussel, E. (1993). O encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes.

Fernandes, F. (2008). A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo, SP: Editora Globo.

Gato, M. (2021). O massacre dos libertos. Sobre raça e república no Brasil. São Paulo, SP: Perspectiva Ltda.

Gonzalez, L. (2018). Primavera para as rosas negras. São Paulo, SP: Editora do Brasil.

Gonzalez, L. (2020). Por um feminismo afro-latino-americano. São Paulo, SP: Editora Schwarcz-Companhia das Letras.

Ibarra-Colado, E. (2007, Fall). Organization studies and epistemic coloniality in Latin America: thinking otherness from the margins. In W. Mignolo (Coord.), Worlds & Knowledges Otherwise (Vol. 2, Dossier 1: On Decoloniality).

Lugones, M. (2008). Colonialidad y género. Tabula Rasa, 9, 73-101. Recuperado de https://www.revistatabularasa.org/numero-9/05lugones.pdf

Lugones, M. (2014). Rumo a um feminismo decolonial. Estudos Feministas, 22(3), 935-952. Recuperado de https://doi.org/10.1590/S0104-026X2014000300013

Miraglia, L. M. M. (2011). Trabalho escravo contemporâneo: conceituação à luz do princípio da pessoa humana. São Paulo: LTr.

Moraes, V. H. S. & Chai, C. G. (2020). Pandemia e trabalho escravo contemporâneo: repensando a reinserção do trabalhador resgatado a partir de uma política emancipatória. Revista de Direitos Sociais e Políticas Públicas, 6(2), 76-96. Recuperado de http://dx.doi.org/10.26668/IndexLawJournals/2525-9881/2020.v6i2.7171

Quijano, A. (1992). Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú Indígena, 13(29), 11-20. Recuperado de https://www.lavaca.org/wp-content/uploads/2016/04/quijano.pdf

Quijano, A. (2014). Colonialidad de poder, eurocentrismo y América Latina. In E. Lander (Org.), Colonialidade del saber, eurocentrismo y ciencias sociales (pp. 201-246). Buenos Aires, Argentina: Clacso-Unesco.

Rosa, A. R. (2014). Relações raciais e estudos organizacionais no Brasil. Revista de Administração Contemporânea, 18(3), 240-260. Recuperado de https://doi.org/10.1590/1982-7849rac20141085

Saffioti, H. I. B. (1976). A mulher na sociedade de classes: mito e realidade. Petrópolis, RJ: Vozes.

Silva, R. M. C. (2013). História dos trabalhadores negros no Brasil e a desigualdade racial. Universitas JUS, 24(3), 93-107. Recuperado de https://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/jus/article/view/2542

Sousa, C. P., Tardivo, G. P., & Haack, M. C. (2021). Localizando a mulher escravizada nos mundos do trabalho. Revista Cantareira, 34, 54-75. Recuperado de https://periodicos.uff.br/cantareira/article/view/44322

Souza, J. (2017). A elite do atraso: da escravidão à lava jato. Rio de Janeiro, RJ: Leya.

Voss, H., Davis, M., Sumner, M., Waite, L., Ras, I. A., Singhal, D., … Jog, D. (2019). International supply chains: compliance and engagement with the Modern Slavery Act. Journal of the British Academy, 7(s1), 61-76. Recuperado de https://doi.org/10.5871/jba/007s1.061