Mulheres na política brasileira: inserção e capital político de deputadas federais

Conteúdo do artigo principal

Marcella Barbosa Miranda Teixeira
https://orcid.org/0000-0002-6818-5561
Carolina Maria Mota-Santos
https://orcid.org/0000-0001-8830-8170

Resumo

Este trabalho tem como objetivo verificar os fatores que influenciam e dificultam a inserção das mulheres na política brasileira. Com base no referencial teórico que tratou da inserção na política e do capital político, realizou-se um estudo qualitativo descritivo. A coleta de dados deu-se por meio de entrevistas semiestruturadas, com a análise temática como técnica de análise de dados. As entrevistas foram realizadas com oito deputadas federais no Brasil, eleitas em 2018. Os resultados apontaram diferença entre inserção e permanência das mulheres na política. Verificou-se que as cotas são essenciais, não só para a participação das mulheres, mas para que elas não tenham dificuldades e barreiras na filiação aos partidos. Por fim, observou-se que o capital familiar é uma das principais formas de acesso à política por parte das mulheres entrevistadas, atuando como um passaporte para o seu ingresso na política.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Detalhes do artigo

Como Citar
Teixeira, M. B. M., & Mota-Santos, C. M. (2024). Mulheres na política brasileira: inserção e capital político de deputadas federais. Cadernos EBAPE.BR, 22(2), e2023–0108. https://doi.org/10.1590/1679-395120230108
Seção
Artigos

Referências

Almeida, C., Luchmann, L., & Ribeiro, E. (2012). Associativismo e representação política feminina no Brasil. Revista Brasileira de Ciência Política, 8, 237-263. https://doi.org/10.1590/S0103-33522012000200009

Araújo, C. (2010). Rotas de ingresso, trajetórias e acesso das mulheres ao legislativo: um estudo comparado entre Brasil e Argentina. Revista Estudos Feministas, 18(2), 567-584. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2010000200016

Araújo, C., Okado, L., Chevitarese, M., & Romero, K. (2022). Pesquisa gênero e raça nas eleições de 2022 (Nota técnica nº 3 – Trajetórias eleitorais e chances de eleição: somos todos iguais?) Observatório Nacional da Mulher na Política. https://www2.camara.leg.br/a-camara/estruturaadm/secretarias/secretaria-da-mulher/observatorio-nacional-da-mulher-na-politica/notatecnica-3-parceria-unb-trajetorias-eleitorais-e-chances-de-eleicao-somos-todos-iguais-201d

Barbieri, C. H. C., Ramos, L. D. O., Mardegan, I. O., Marin, J. F. M., & Youssef, L. M. (2021). Equalização da disputa ou reprodução de desigualdades? Uso do Facebook por candidatas à Câmara Federal por São Paulo em 2018. Opinião Pública, 27(2), 650-680. https://doi.org/10.1590/1807-01912021272650

Barros, A. T. (2021). Mulheres filiadas a partidos políticos: Relatos de experiências femininas na política partidária. Revista Artemis, 31(1), 265-295. https://periodicos.ufpb.br/index.php/artemis/article/view/55542

Bolognesi, B., Ribeiro, E., & Codato, A. (2022). Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros. Dados, 66(2), e20210164. https://doi.org/10.1590/dados.2023.66.2.303

Bourdieu, P. (1989). O poder simbólico. Bertrand Brasil.

Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77-101. https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa

Bueno, A. A. M., & Junckes, I. J. (2020). Dinheiro, democracia e a (sub) representação das mulheres nas eleições de 2008, 2012 e 2016 no Brasil. Revista Eletrônica de Ciência Política, 11(2), 97-117. http://dx.doi.org/10.5380/recp.v11i2.81598

Câmara dos Deputados. (2019). Perfil da bancada eleita. https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficoshtml5/composicaocamara2019/indexável#text5

Câmara dos Deputados. (2023). Quem são os deputados. https://www.camara.leg.br/deputados/quemsao/resultado?search=&partido=&uf=&legislatura=56&sexo=F&pagina=4

Carvalho, D. D., & Yasuda, T. G. A. (2017). Sub-Representação Feminina na Política Brasileira em Face das Inovações Democráticas Legislativas. Virtuajus, 2(2), 363-383. https://periodicos.pucminas.br/index.php/virtuajus/article/view/15500

Chaves, B. M., & Mancuso, W. P. (2020). Raça e gênero nas eleições brasileiras: uma análise sobre a influência de marcadores sociais na disputa à Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas em 2018. In Anais do 1º Seminário Discente de Ciência Política da UFPR, Curitiba, PR, Brasil. https://eventos.ufpr.br/SDCP/SDCP2020/paper/viewFile/3125/929

Costa, R. S. F., & Gonçalves, R. M. V. (2021). Participação da mulher na política brasileira. Direito e Desenvolvimento, 12(1), 97-111. https://doi.org/10.26843/direitoedesenvolvimento.v12i1.1326

Eduardo, M. C. (2018). Mulheres em campanha: uma análise da distribuição de recursos financeiros nos estados brasileiros e o desempenho eleitoral das mulheres nas eleições de 2014. Guaju, 4(2), 187-208. http://dx.doi.org/10.5380/guaju.v4i2.55493

Fernandes, C., Lourenço, M. L., Fröhlich, S., Silva, D. E., & Kai, F. O. (2020). Mulheres na política: emoções e desafios em dinâmicas institucionais complexas. Cadernos EBAPE.BR, 18(4), 1071-1081. https://doi.org/10.1590/1679-395120200006

Franceschet, S., Pispoco, J. M., & Thomas, G. (2016). Supermadres, Maternal Legacies and Women's Political Participation in Contemporary Latin America. Journal of Latin American Studies, 48(1), 1-32. https://doi.org/10.1017/S0022216X15000814

Franco, G. C. (2021). O comportamento legislativo das deputadas federais brasileiras: uma análise da produção legislativa de 1987 a 2017. Revista Eletrônica de Ciência Política, 11(1), 56-78. http://dx.doi.org/10.5380/recp.v11i1.74468

Freitas, G. F. (2020). Discurso da mulher política na política dos homens: resistências, representatividade e empoderamento. Letras & Letras, 36(1), 117-139. https://doi.org/10.14393/LL63-v36n1-2020-7

Grossi, M. P., & Miguel, S. M. (2000). Transformando a diferença: as Mulheres na política. Revista Estudos Feministas, 9(1), 167-206. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2001000100010

Inter-Parliamentary Union. (2019). Women in Politics: 2019. https://www.ipu.org/resources/publications/infographics/2019-03/women-in-politics-2019

Kanan, L. A. (2010). Poder e liderança de mulheres nas organizações de trabalho. Organizações & Sociedade, 17(53), 243-257. https://doi.org/10.1590/S1984-92302010000200001

Kerbauy, M. T. M., & Assumpção, R. P. S. (2011). Redes sociais e capital político: uma proposta teórico-metodológica para análise das organizações partidárias brasileiras. Política & Sociedade, 10(18), 301-332. https://doi.org/10.5007/2175-7984.2011v10n18p301

Krook, M. L., & Norris, P. (2014). Beyond quotas: Strategies to promote gender equality in elected office. Political Studies, 62(1), 2-20. https://doi.org/10.1111/1467-9248.12116

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. (1997). Estabelece normas para as eleições. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm

Marques, D. (2021). Carreiras políticas e desigualdades: elementos para uma crítica feminista do campo político. BIB. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, 95, 1-20. https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/117/110

Marques, D., Celini, T. P., & Santos, L. F. (2021). Carreiras políticas de mulheres no Brasil: aprofundando o debate a partir da nova bancada feminina da câmara dos deputados (2019-2022). Revista Feminismos, 9(2), 24-55. https://doi.org/10.9771/rf.v9i2.43297

Matos, M. (2010). Paradoxos da Incompletude da Cidadania política das Mulheres: novos horizontes para 2010. Debate: Opinião Pública e Conjuntura Política, 2, 31-59. http://opiniaopublica.ufmg.br/site/files/biblioteca/marlise.pdf

Miguel, L. F. (2003). Capital político e carreira eleitoral: algumas variáveis na eleição para o Congresso brasileiro. Revista de Sociologia e Política, 20, 115-134. https://doi.org/10.1590/S0104-44782003000100010

Miguel, L. F., & Biroli, F. (2015). Feminismo e política: uma introdução. Boitempo Editorial.

Miguel, L. F., Marques, D., & Machado, C. (2015). Capital familiar e carreira política no Brasil: gênero, partido e região nas trajetórias para a Câmara dos Deputados. Dados, 58(3), 721-747. https://doi.org/10.1590/00115258201557

Moritz, M. L. (2017). Familismo e gênero no Congresso brasileiro (2006-2014). In Anais Eletrônicos do 11º Seminário Internacional Fazendo Gênero, Florianópolis, SC, Brasil.

Nakano, L. Y. (2018). Women in politics in Japan: beyond housewife activism. Asian Anthropology, 17(2), 71-84. https://doi.org/10.1080/1683478X.2018.1458405

Oliveira, R. C., Goulart, M. H. H. S., Vanali, A. C., & Monteiro, J. M. (2017). Família, parentesco, instituições e poder no Brasil: retomada e atualização de uma agenda de pesquisa. Revista Brasileira de Sociologia, 5(11), 165-198. https://doi.org/10.20336/rbs.225

Pinto, C. R. J., & Silveira, A. (2018). Mulheres com carreiras políticas longevas no legislativo brasileiro (1950-2014). Opinião Pública, 24(1), 178-208. https://doi.org/10.1590/1807-01912018241178

Resende, R. C., & Epitácio, S. (2017). Mulheres à esquerda e à direita: carreiras políticas e partidos políticos. Mediações-Revista de Ciências Sociais, 22(1), 350-366. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2017v22n1p350

Rezende, D. L. (2017). Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados. Estudos Feministas, 25(3), 1199-1217. https://doi.org/10.1590/1806-9584.2017v25n3pRezende

Sacchet, T. (2018). Why gender quotas don’t work in Brazil? The role of the electoral system and political finance. Colombia Internacional, 95, 25-54. https://doi.org/10.7440/colombiaint95.2018.02

Sáez, M. A. (2017). La carrera política y el capital político. Convergencia, 24(73), 187-204. https://www.scielo.org.mx/pdf/conver/v24n73/1405-1435-conver-24-73-00187.pdf

Saffioti, H. I. B. (2004). Gênero, Patriarcado e Violência. Editora Fundação Perseu Abramo.

Santos, C. M. M. (2012). As mulheres brasileiras: do espaço privado da casa para as posições executivas nas organizações brasileiras (Tese de Doutorado). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Saraiva, A. P. (2017). Liderança política no feminino: As presidentes de câmara no poder local em Portugal. Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, 37, 41-61. https://scielo.pt/pdf/eva/n37/n37a05.pdf

Silva, M. G. D., Chaves, V., & Barbosa, L. (2023). Mulheres eleitas e capital político familiar na Câmara dos Deputados: uma análise da 56ª legislatura (2019-2023). Sociedade e Estado, 38, 95-124. https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202338010004

Toledo, C. M. Q., & Jardim, N. C. (2019). A baixa representatividade feminina na política: obstáculo a ser vencido na democracia brasileira. Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, 47(2), 318-333. https://doi.org/10.14393/RFADIR-v47n2a2019-45713

Tribunal Superior Eleitoral. (2019). Número de mulheres eleitas em 2018 cresce 52,6% em relação a 2014. http://www.tse.jus.br/imprensa/noticiastse/2019/Marco/numero-de-mulheres-eleitas-em-2018-cresce-52-6-em-relacao-a-2014

Unzué, M. (2012). A universidade na trajetória dos parlamentares brasileiros. Revista Brasileira de Ciência Política, 8, 13-46. https://doi.org/10.1590/S0103-33522012000200002

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)