O Brasil de Bolsonaro: Uma democracia sob estresse

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Cláudio Gonçalves Couto

Resumo

O ressentimento social manifesto nas Jornadas de Junho de 2013, resultante de expectativas frustradas de setores sociais ascendentes (que viram estancado seu progresso) e de camadas superiores na estratificação social (que perderam sua distinção), ensejou afetos antipolíticos. Estes, por sua vez, alimentaram o antipartidarismo e o sentimento antissistema, propícios ao sucesso eleitoral de outsiders e políticos marginais. Nesse contexto, tornaram-se prefeitos vários outsiders nas eleições municipais de 2016, e Jair Bolsonaro conquistou a Presidência em 2018. Seu governo-movimento caracterizou-se pelo populismo extremista de fundo religioso, excludente e antipluralista, que mobilizou apoios a um governo anormal e, por isso, incompreensível pela análise institucionalista convencional: em vez de tomar o quadro institucional como dado, atuou solapando-o. Isso gerou estresse no sistema, pois o ataque reiterado a outros poderes (especialmente o Judiciário) teve como resposta o hiperativismo institucional, gerador de uma armadilha populista, que minou a legitimidade de instituições instadas a atuar defensivamente.

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Como Citar
COUTO, C. G. O Brasil de Bolsonaro: Uma democracia sob estresse. Cadernos Gestão Pública e Cidadania, São Paulo, v. 28, p. e89859 , 2023. DOI: 10.12660/cgpc.v28.89859. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/cgpc/article/view/89859. Acesso em: 24 maio. 2024.
Seção
Brasil Contemporâneo

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