Entre o silenciamento, a domesticidade e a identidade: a atuação das mulheres na política francesa (2017-2022)

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Giulia Moreira Leonaldo
https://orcid.org/0009-0002-1095-6092
Marta Ferreira Santos Farah

Resumo

[INTRODUÇÃO] A proporção de mulheres na Assembleia Nacional da França cresceu de 26,9%, em 2012, para 38,7%, em 2017 - em números absolutos, de 155 para 224 das 577 cadeiras, um recorde na série histórica. Intrigado por tal expansão, o trabalho objetiva analisar se essa representação descritiva das parlamentares foi acompanhada da defesa de temas presentes na agenda feminista no ciclo 2012-2022 da Assembleia Nacional francesa - isto é, a adesão a uma agenda política de gênero, que reconheça a distribuição desigual de poder entre homens e mulheres e atenda a reivindicações do feminismo. [METODOLOGIA] O trabalho empregou a revisão de literatura, o levantamento de dados secundários e a análise documental de projetos e proposições de lei. Os 29 projetos e proposições selecionados para a análise da agenda de gênero foram categorizados segundo o foco em mulheres, a área da administração pública que endereçam, a questão de gênero e o grau de profundidade da discussão. [RESULTADOS] Dentre os 29 projetos e proposições selecionados para a análise, mais da metade (51,72%) foi produzida por autoria única feminina; e menos de um quarto (24,14%) por autoria única masculina. No que tange ao status de aprovação, foram promulgados 75% dos projetos e das proposições focados em mulheres e mais de 80% dos que incluem a dimensão de gênero de modo transversal. [CONCLUSÃO] Os resultados sugerem que houve adesão a uma agenda de gênero no ciclo analisado. 

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Seção
PIBIC - Administração Pública