Salvaguarda na Roda: movimentos e movimentações para a proteção e valorização do carimbó do oeste paraense

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Pedro Vianna Godinho Peria
Laura Cardoso Isola Fonseca
Jo Erik Terada
Julia Figueiredo Soldá

Resumo

[INTRODUÇÃO] Partindo de uma articulação teórica entre a abordagem da ação pública nos estudos sobre políticas públicas e as discussões especializadas sobre a salvaguarda de patrimônios culturais imateriais, mobilizamos o caso do carimbó no oeste do Pará para debater como pessoas e coletivos driblam vulnerabilidades e resistem ao desamparo institucional para salvaguardar seus saberes tradicionais. O binômio Governo Bolsonaro-Pandemia impôs desafios à esfera da cultura, que sofreu com o desmantelamento de políticas públicas e a impraticabilidade de encontros nos quais as práticas culturais imateriais são realimentadas. [METODOLOGIA] A partir de entrevistas semi estruturadas com detentores e detentoras e com técnicas e técnicos de órgãos de preservação do patrimônio, e de observação participante em eventos e aulas de carimbó, apresentamos e discutimos as formas pelas quais foi possível contornar a situação de emergência e de retrocesso. A equipe realizou entrevistas à distância e esteve in loco na vila de Alter do Chão durante dez dias para acompanhar as vivências do carimbó e conhecer seus praticantes. [RESULTADOS] Nessa trajetória, foi possível identificar diferentes momentos do processo de valorização do carimbó naquele território. Durante a pandemia e o governo Bolsonaro, os detentores e as detentoras vivenciaram situações ambíguas: de um lado, marcadas pela incerteza e abandono e, por outro lado, sendo capazes de desenvolver projetos e produções culturais novos, como edições de álbuns e clipes. Os editais emergenciais da Lei Aldir Blanc foram apontados como marcos indispensáveis para a superação dos desafios, ainda que não sejam capazes de transpor vulnerabilidades estruturais e ambiguidades da ação do Estado no campo do patrimônio imaterial. [CONCLUSÃO] A partir do caso de carimbozeiras e carimbozeiros do oeste do Pará, traçamos os momentos e as estratégias mais relevantes para a sobrevivência de sua prática, apontando para ausências, presenças e ambiguidades da ação estatal a partir da perspectiva da ação pública. Nossas discussões mostram que, para o campo das Políticas Culturais, é indispensável observar como as vulnerabilidades afetam as ações de salvaguarda a atravessam as os movimentos e coletivos de detentores e detentoras. Em um contexto de emergência sanitária, de retrocesso democrático e de desmantelamento das políticas públicas, a ação pública foi o verdadeiro motor da salvaguarda.

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